Matizes da Terra: Quando ciência e arte revelam a força criadora do solo

Exposição transforma solos em tinta, conhecimento e experiência sensorial, e tem apoio da Solocria para ampliar a divulgação científica sobre a terra

Matizes da Terra: Quando ciência e arte revelam a força criadora do solo

O solo costuma ser lembrado apenas como base da produção agropecuária, mas a Universidade Federal de Goiás encontrou uma forma de expandir essa percepção. Na exposição Matizes da Terra, ciência e arte se cruzam para revelar o solo como fonte de vida, história, cultura e criação.

Em sua quinta edição, o projeto desperta a atenção de pesquisadores, estudantes e visitantes em geral. O que começou como uma ação dentro do programa Saberes sobre Solos, iniciativa da UFG voltada à educação e à popularização do conhecimento sobre solos, tornou-se uma experiência sensorial capaz de aproximar ciência e sociedade.

“O projeto surgiu em 2023 como um dos braços do Saberes sobre Solos, que já vem sendo desenvolvido há alguns anos”, explica a professora Andrelisa Santos de Jesus, do Instituto de Estudos Socioambientais da UFG. “Nosso objetivo é reforçar as ações de divulgação científica, popularização e educação no campo dos solos, mas dessa vez, nos aliando aos conhecimentos e técnicas na área também artística.”

As exposições são montadas em espaços não convencionais, como halls de prédios, bibliotecas e centros universitários. “A primeira foi no hall da Biblioteca Central da UFG, depois no CREA e no Planetário. A quarta foi no hall da Faculdade de Ciência e Tecnologia da UFG. E agora, nossa quinta exposição, foi também no hall da Biblioteca, que é um espaço público. Todos esses espaços têm alta circulação de pessoas que não necessariamente estão indo ali para ver uma exposição de arte”, destaca a professora.

Os visitantes que passam por esses ambientes se deparam com telas, cerâmicas, pigmentos e materiais científicos, além de um balcão de tinta de solo disponível para quem quiser experimentar a técnica.

“É importante lembrar que o solo é fundamental para a nossa vida na terra, não só para nossa manutenção enquanto seres biológicos, mas também por ser fonte de arte, de cultura e de relações sociais desde os primórdios da humanidade”.

Ciência e sustentabilidade

A força do projeto está no encontro entre ciência, sustentabilidade e criação artística. Os pigmentos utilizados nas obras são feitos a partir de solos coletados em pesquisas da universidade e de amostras que seriam descartadas por laboratórios parceiros, como a Solocria.

“Usamos solos que seriam descartados. Eles passam por processamento, destorroamento, peneiramento e são misturados com água e cola. Assim produzimos uma tinta de baixo custo, baixa toxicidade e sustentável”, conta a professora.

A equipe do projeto ainda promove oficinas abertas ao público para ensinar a produção da tinta e técnicas de pintura. Ao lado das obras, materiais didáticos como cartas de cores e réplicas de estruturas de solo ajudam os visitantes a compreender a diversidade e a importância dos solos brasileiros.

O projeto cresceu e ganhou força com o apoio de parceiros que compartilham dos mesmos valores. A Solocria Laboratório Agropecuário é uma dessas instituições. Além de fornecer solos para o acervo de pigmentos, o laboratório tem apoiado a realização das exposições.

Para a diretora da Solocria, Luciana Castro, a exposição Matizes da Terra reforça uma visão mais profunda e sensível sobre o solo. “Para mim é muito importante a Solocria apoiar o projeto Matizes da Terra, pois isso tem tudo a ver com nossa forma de enxergar o solo e o agro em geral. Ao vermos o solo com esse olhar sensível da arte, passamos a entender ele de forma mais ampla, percebendo toda sua força criadora, todo seu potencial para gerar vida”, afirma.

Ela acrescenta que essa perspectiva contribui para um agro mais responsável. “Isso ajuda o agro a lidar com o solo com mais carinho, de modo mais zeloso, consequentemente mais sustentável. Aliar Ciências e Artes nos ajuda a conhecer mais ainda o solo e cultivar melhor, não só as lavouras, mas também toda a relação gentil que devemos ter com a terra, tanto a terra com t minúsculo quanto a Terra com T maiúsculo.”

Para Andrelisa, parcerias como a da Solocria são essenciais para viabilizar cada exposição. “Desenvolver projetos de extensão é extremamente desafiador do ponto de vista logístico. Contamos com diferentes apoiadores e a Solocria tem sido uma parceira fantástica, com apoio contínuo, além do fornecimento de solos para o acervo de pigmentos”, destaca.

Próximos passos

Desde 2023, cerca de duas mil pessoas já visitaram as exposições. Cada edição é única, com curadoria e obras exclusivas produzidas por artistas da comunidade acadêmica e de fora dela. O tema atual, “A terra como substantivo feminino”, envolve uma forte participação de mulheres artistas que exploram diferentes leituras sobre a relação humana com a terra.

Os próximos passos da iniciativa já estão traçados. O projeto acaba de ser contemplado por um edital da Agência de Fomento do Estado de Goiás (FAPEG) e deve realizar ao menos quatro novas exposições em diferentes municípios de Goiás entre 2026 e 2027, ampliando ainda mais o alcance e reforçando a importância da conservação dos solos.

“Estamos muito animados. Vamos seguir falando sobre ciência e arte relacionada ao solo e com isso promover a importância da conservação desse recurso, já que ele é fundamental para a nossa existência no planeta”, conclui a professora da UFG.

 

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