Estudo inédito revela déficit de carbono bilionário no solo brasileiro
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No Dia Nacional do Cerrado, celebramos a transformação de um bioma antes considerado improdutivo em celeiro do Brasil, responsável por mais da metade da produção de grãos
Há poucas décadas, o Cerrado era visto como área pouco apta para agricultura. Solos ácidos, alumínio em excesso e baixa fertilidade formavam um conjunto de barreiras à produção.
A combinação de pesquisa aplicada, manejo de solo e melhoramento genético mudou essa história e reposicionou o bioma no mapa da segurança alimentar do país. Hoje, mais de 50% dos grãos colhidos no Brasil vêm do Cerrado.
Celebrado neste 11 de setembro, o Dia Nacional do Cerrado reforça a importância de equilibrar produção de alimentos, conservação ambiental e uso sustentável da água em um bioma que ocupa 25% do território nacional.
Conhecido como a savana brasileira, ele se estende por 11 estados, do Nordeste à maior parte do Centro-Oeste, e mantém áreas de transição com praticamente todos os biomas, exceto os Pampas.
A Embrapa liderou a adaptação da agricultura tropical no bioma. Programas de correção de acidez e manejo de fertilidade com calcário, gesso agrícola e adubação fosfatada reduziram a toxicidade por alumínio e criaram a base para altas produtividades. Vieram também rotação de culturas, plantio direto e recomendações de manejo que hoje são referência.
O resultado foi uma expansão consistente da soja, do milho do algodão e até do trigo com cultivares e sistemas produtivos desenvolvidos para as condições de clima e solo do Cerrado. “Em áreas onde mal havia pasto para o gado, hoje se colhem até três safras ao ano”, escreveu o pesquisador da Embrapa Cerrados Marcos Aurélio Carolino de Sá, em seu artigo “Embrapa Cerrados: há 50 anos contribuindo para a conservação do solo e da água”.
Destaque ainda para a integração lavoura-pecuária-floresta que também ganhou escala no bioma. A tecnologia intensifica pastagens, eleva a eficiência do uso da terra e amplia a resiliência climática, conectando produtividade e conservação.
ZARC: A ciência a serviço do campo
Outro pilar dessa transformação foi o ZARC, Zoneamento Agrícola de Risco Climático, que indica épocas de plantio por município, tipo de solo e ciclo de cultivares e ajuda a reduzir as perdas no campo.
“Hoje, essa ferramenta é política pública usada em programas de crédito e de seguro agrícolas, proporcionando segurança aos nossos produtores rurais e aplicação mais eficiente de recursos públicos”, destacou o pesquisador Marcos Aurélio Carolino de Sá em seu artigo.
Implementado a partir de 1996 e continuamente atualizado, o instrumento é aplicado com participação técnica da Embrapa e coordenação do Ministério da Agricultura e Pecuária.
O zoneamento, somado a sistemas conservacionistas de solo e água, ajudou a consolidar o Cerrado como área de produção estável em um ambiente naturalmente desafiador.
MATOPIBA e a interiorização da produção
A fronteira agrícola do MATOPIBA ( região formada pelo estado do Tocantins e partes dos estados do Maranhão, Piauí e Bahia), que concentra 91% de seu território no Cerrado, simboliza a interiorização do agro. Projeções oficiais do MAPA, em parceria com a Embrapa, apontam que a produção de grãos na região deve alcançar 48 milhões de toneladas em 2032/33, avanço de 37% em dez anos. Na última década, o salto já foi de 92%.
Esse dinamismo não é casual. Ele se apoia em pesquisa, planejamento de risco, infraestrutura e cadeias organizadas, com ganhos de produtividade e tecnologia de ponta.
Os resultados alcançados no Cerrado com apoio da pesquisa brasileira reforçam que produção agrícola e conservação ambiental não são opostos. Boas práticas de manejo, recuperação de áreas e sistemas integrados reduzem a pressão sobre novas áreas e ampliam a eficiência no uso de recursos.
Em síntese, a história recente do bioma é a história da ciência aplicada. A Embrapa, em parceria com universidades, produtores, empresas e órgãos públicos, traduziu conhecimento em soluções práticas, da correção de solo às janelas de plantio, do melhoramento genético à intensificação sustentável.
Vale ressaltar que o avanço do Cerrado como potência agrícola também contou com a atuação e o empenho de empresas do setor privado que investem em conhecimento técnico e inovação.
Nesse contexto, é motivo de orgulho para a Solocria ter colaborado com estudos dedicados ao desenvolvimento da região, oferecendo análises agropecuárias de qualidade e suporte científico. Essa contribuição fortalece a base tecnológica do agro, impulsiona a produtividade sustentável e reforça o papel do Cerrado como protagonista na produção de grãos do Brasil.
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