Estudo inédito revela déficit de carbono bilionário no solo brasileiro
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Com benefícios que vão da correção do pH ao aumento da produtividade, a prática exige atenção tanto à análise de solo quanto à qualidade do calcário
Falar sobre calagem pode parecer algo ultrapassado para alguns, mas a verdade é que esse manejo ainda gera muitas dúvidas e divergências. Incorporar ou não? Qual a dose ideal? Que tipo de calcário utilizar? Para Igor Castro, responsável técnico pelas análises de solo da Solocria, a resposta para todas essas perguntas começa em um único lugar: na análise de solo.
“Ainda é comum ver produtores aplicando o famoso ‘receituário de três toneladas por hectare’ sem sequer olhar o que o solo realmente precisa. Esse achismo pode sair muito caro, tanto pelo desperdício quanto pelo risco de subdosagem”, alerta o engenheiro agrônomo.
A calagem é a prática agrícola de aplicação de calcário no solo com o objetivo de corrigir a acidez e equilibrar os níveis de nutrientes essenciais, como cálcio (Ca) e magnésio (Mg). Ela também ajuda a neutralizar o alumínio tóxico, presente em muitos solos brasileiros, e melhora a estrutura física do solo, reduzindo erosões e aumentando a retenção de água.
Na prática, o resultado é direto na produtividade. Solos corrigidos respondem melhor à adubação, promovem um ambiente mais saudável para o desenvolvimento radicular e potencializam o aproveitamento dos fertilizantes. “O custo de uma análise de solo hoje não chega a 0,05% do custo de produção por hectare. É um investimento irrisório frente ao ganho que proporciona”, reforça o especialista da Solocria.
Benefícios comprovados no campo
A correção do pH do solo traz uma série de efeitos positivos, como a maior disponibilidade de fósforo e de outros nutrientes no solo. Além disso, o fornecimento adequado de Ca e Mg contribui para a saúde estrutural das plantas e o bom funcionamento fisiológico.
Mas os benefícios só são alcançados quando há precisão na dose e no tipo de calcário utilizado. “Um exemplo que tenho é de um produtor que comprou um calcário, aplicou na dosagem média de 4 toneladas por hectare em sua área, e alguns meses depois fez a análise do solo e encontrou a presença de alumínio, pH baixo, o teores baixos de Ca+Mg”, conta Igor.
“Dose boa, solo de textura média, mas após tudo isso, quando analisamos o calcário, o PRNT (Poder Reativo de Neutralização Total) era inferior a 60%. Por isso a importância da checagem do calcário. Não dá pra confiar só na nota, é sempre bom o agricultor fazer essa análise o quanto antes”, destaca.
Os calcários disponíveis no mercado variam muito em características físicas e químicas. Há tipos calcíticos, dolomíticos, com diferentes teores de nutrientes, granulometrias e cores. Além disso, como lembra Igor, cor não define qualidade. “Dois calcários escuros podem ter composições químicas totalmente distintas. Por isso, a análise do corretivo é essencial.”
Alguns produtores ainda têm dúvidas sobre o que fazer em tempos de “vacas magras”. Quando a análise de solo indica a necessidade de calagem e aplicação de fertilizantes, a prioridade deve ser o calcário.
Os benefícios da calagem na implantação de uma cultura ou na correção de pastagens são incomparáveis e os resultados são visíveis, sem dúvidas. “Muitas vezes, o produtor investe em fertilizantes caros, com alta tecnologia embarcada, mas os aplica em solos ácidos. Isso é desperdício de dinheiro. Por isso, faça a análise de solo e realize a calagem, se for recomendada”, explica.
Como e quando aplicar

A decisão sobre incorporar ou não o calcário no solo depende da necessidade verificada na análise de solo, e também do tipo de sistema produtivo e das condições da área. Em áreas de abertura, na transição para o plantio direto, em implantação de pastagens e sistemas intensivos, a incorporação é fundamental. Há também situações em que é necessário um “reset” do sistema, com calagem profunda.
A chamada super calagem, que vem sendo cada vez mais debatida por produtores que buscam teto produtivo, exige cautela. “Não é um manejo para qualquer área, nem para qualquer produtor. Envolve máquinas e implementos caros, além de exigir muito conhecimento técnico. Diversos fatores devem ser levados em consideração antes de se fazer algo assim, porque o que já é caro, pode sair muito mais caro.”, destaca Igor.
Todos os passos da calagem, desde a escolha do produto até a dosagem e forma de aplicação, devem estar ancorados na análise de solo e na análise do corretivo. Só assim é possível tomar decisões técnicas que gerem resultados reais e sustentáveis.
“Não ter uma análise do solo hoje, para guiar a compra de fertilizantes e corretivos, é o maior erro que um produtor pode cometer. É ela que vai indicar o que sua área precisa para alcançar o melhor desempenho”, defende Igor.
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